
Obrigaram-me a ser uma coisa que eu não queria ser. Forjaram uma luta, forjaram uma vida na qual eu não podia vencer. Eu achei que seria mais humano se dissesse tudo o que passava aqui dentro, mas não foi assim.
Erguer a cabeça e seguir em frente já não era uma opção, já não me bastava. Os ruídos ainda corriam por minhas veias, as palavras ainda ardiam, os destroços haviam fincado. Durante muito tempo, aquilo havia doído dentro de mim e chegou ao ponto de mudar meu extinto.
Fomos criados a nos adaptar como todo animal, mas nem sempre aquilo que vem nos destruindo se torna uma ferida fácil de cicatrizar. Por muito caminhei em meio a pedras, em meio a restos de mim e uma vez destroçada, o meio de me adaptar ficou cada vez mais difícil. Queria uma vez sumir, queria encontrar um lugar onde as palavras caíssem com mais facilidade do céu, do que as pedras que arranham os meus pés na terra.
A ilusão me tomou por um tempo como forma de esperança, mas fez uma viagem turbulenta e tornou a partir. A humilhação se tornou uma velha amiga e com muita frequência tende a me visitar e solidão? Bem, essa se apaixonou por mim. A vontade de sumir vem e volta.
Nunca cheguei a conhecer esse tal de amor próprio. Dizem que ele é gentil e um amigo fiel. Parece-me que ele sumiu antes que eu percebesse que estava lá. Não o culpo, porque sei que a culpa é minha na verdade.
Há um vazio imensurável dentro de mim, que nem mesmo o fiel amor próprio pode curar. Sinto-me como uma grande bomba atômica, que guarda uma coisa dentro de si muito perigosa tanto pra ela quanto para quais a rondam e que com certeza está pronta para explodir.
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